Arquivos da categoria: Alessandra Safra

(mel)ancolia

Anna, fui ao mercado compra sanidade e longitude para fazer um bolo no café de amanhã.   . até hoje do bolo nem sei.    

(mel)ancolia

Anna, fui ao mercado compra sanidade e longitude para fazer um bolo no café de amanhã.   . até hoje do bolo nem sei.    

ana marrom

a porta não quis me deixar sair avisou sobre meus olhos inchados borrados de terra coisas velhas. consenti. voltei abrir bau é descer em cova nada rasa fotos antigas me aprofundam e sou desajustada. fantasma bailante quando olhei aquela foto

ana marrom

a porta não quis me deixar sair avisou sobre meus olhos inchados borrados de terra coisas velhas. consenti. voltei abrir bau é descer em cova nada rasa fotos antigas me aprofundam e sou desajustada. fantasma bailante quando olhei aquela foto

Haikarai  o louva-a-deus é ateu o peixe-espada é broxa a água-viva morreu  

Haikarai  o louva-a-deus é ateu o peixe-espada é broxa a água-viva morreu  

sede

café pela amiúde no trago; poesia nu dedo amareloé :eu. – vorazentre línguamalgama poemaparto sob a mesa dos famélicos

sede

café pela amiúde no trago; poesia nu dedo amareloé :eu. – vorazentre línguamalgama poemaparto sob a mesa dos famélicos

para dizer adeus

caos. fumegante. úmido. perigoso. boca aberta ao abandono. penso diante da queda e recuso. quero sua ausência. visto minha farsa e partir é descente. tendemos acreditar em pessoas com sorrisos doces. falas mansas. olhares mornos. você me dá enjoos. tudo

para dizer adeus

caos. fumegante. úmido. perigoso. boca aberta ao abandono. penso diante da queda e recuso. quero sua ausência. visto minha farsa e partir é descente. tendemos acreditar em pessoas com sorrisos doces. falas mansas. olhares mornos. você me dá enjoos. tudo

intumescido

soberbo urgente ensonado saboroso na promessa e no paladar a pele senhor de si nunca de mim quando só: fecho os olhos e ele vem a vontade já estava lá

intumescido

soberbo urgente ensonado saboroso na promessa e no paladar a pele senhor de si nunca de mim quando só: fecho os olhos e ele vem a vontade já estava lá

barata bípede implume bunda vaga na vala do ai cinta em rata parda de lua pardência vaga vai e bem além ceia cheia simulacro falo teus nomes sarjetas lasco vara in talo e roubo ardidos ais arredia na rédea tapa

barata bípede implume bunda vaga na vala do ai cinta em rata parda de lua pardência vaga vai e bem além ceia cheia simulacro falo teus nomes sarjetas lasco vara in talo e roubo ardidos ais arredia na rédea tapa

carta para minha casa

fui até você no instante em que senti o cheiro da grama cortada. aí de casa, hoje salivei saudades. quase duas semanas você fechada. há abstinência aguda em nós pela falta uma da outra! pela a falta em remexer os

carta para minha casa

fui até você no instante em que senti o cheiro da grama cortada. aí de casa, hoje salivei saudades. quase duas semanas você fechada. há abstinência aguda em nós pela falta uma da outra! pela a falta em remexer os

com amor, Alice

desde sua última carta, Anna, eu não mudei de ideia. sinto muito. mas você não pode ser egoísta comigo. não percebe seu pensamento limitado sobre o suicídio? Sobre o meu suicídio? já está certo. será breve. silêncio é minha vocação.

com amor, Alice

desde sua última carta, Anna, eu não mudei de ideia. sinto muito. mas você não pode ser egoísta comigo. não percebe seu pensamento limitado sobre o suicídio? Sobre o meu suicídio? já está certo. será breve. silêncio é minha vocação.

palavrarios

  dívida, duvida? há vida na dúvida divida em cada palavra se lavra um cão cada letra pulsa nenhum cada  iguala outro cada cada cão larga mordida saliva e ladra único em cada cada como pode amargura amar? e solitário

palavrarios

  dívida, duvida? há vida na dúvida divida em cada palavra se lavra um cão cada letra pulsa nenhum cada  iguala outro cada cada cão larga mordida saliva e ladra único em cada cada como pode amargura amar? e solitário

rasg-ar

pena de mim um copo de pinga? escarra meus olhos um cacto ressecado? exploro as palavras presas nos copos de bar em ar, lambuzar-me do teu cuspe ácido e no continente da minha pele viciar tua língua: ar-d-ida eu me doemos

rasg-ar

pena de mim um copo de pinga? escarra meus olhos um cacto ressecado? exploro as palavras presas nos copos de bar em ar, lambuzar-me do teu cuspe ácido e no continente da minha pele viciar tua língua: ar-d-ida eu me doemos

chorou como se não tivesse escolha

rodopiou amor estéril / pulou olhos abertos na vala rasa / guardou no vento seu coração / aprendeu com o pai não saber amar… roeamarguraembarradecerealdechocolate amor não é para você, amorinha/ pó granulado na garganta tua sina partiu no dia tal para não

chorou como se não tivesse escolha

rodopiou amor estéril / pulou olhos abertos na vala rasa / guardou no vento seu coração / aprendeu com o pai não saber amar… roeamarguraembarradecerealdechocolate amor não é para você, amorinha/ pó granulado na garganta tua sina partiu no dia tal para não

délibáb

estalactite |lâct| s. f. Concreção calcária suspensa da abóbada das grutas e produzida pela infiltração lenta das águas estala ctites calcárias suspensas gotejam gordas constantes gotas cactáceos invertidos poros feridos estalam ais ai ais dedos noroeste tempos persis -tentes sais

délibáb

estalactite |lâct| s. f. Concreção calcária suspensa da abóbada das grutas e produzida pela infiltração lenta das águas estala ctites calcárias suspensas gotejam gordas constantes gotas cactáceos invertidos poros feridos estalam ais ai ais dedos noroeste tempos persis -tentes sais

três dias de merda

treze de janeiro às doze horas nasce Alsina sob a mangueira anos mais tarde, agosto do dia treze às onze com o açougueiro se laça maio treze, dez de trabalho de parto, às três pariu Severo Filho marcada, caiu na

três dias de merda

treze de janeiro às doze horas nasce Alsina sob a mangueira anos mais tarde, agosto do dia treze às onze com o açougueiro se laça maio treze, dez de trabalho de parto, às três pariu Severo Filho marcada, caiu na

amar(r)ar

ouça, gato. você me interpreta. fechei as portas. o mundo aqui não entra. o meu coração parou. sempre que alguém morre eu penso se partiu com fome. nessas noites, quando encho sua tigela, também desfruto da minha e penso quando

amar(r)ar

ouça, gato. você me interpreta. fechei as portas. o mundo aqui não entra. o meu coração parou. sempre que alguém morre eu penso se partiu com fome. nessas noites, quando encho sua tigela, também desfruto da minha e penso quando

ávida letra

ávida letra/há vida letra/ a vida: letra/ ávida lê trárárá ávida a língua agoniza/há vida nas papilas: gustativas/ ávida canta (a vida é  palavra. lavra a língua uma caminho entre eu e você) ávida e sem destino/ há isolamento  nos

ávida letra

ávida letra/há vida letra/ a vida: letra/ ávida lê trárárá ávida a língua agoniza/há vida nas papilas: gustativas/ ávida canta (a vida é  palavra. lavra a língua uma caminho entre eu e você) ávida e sem destino/ há isolamento  nos