Para Nardja

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a que me pegou pela mão e me jogou pela escada em aspiral

eu que encontrasse a saída no fundo dos olhos.

Ela não podia estar ali só para entender, enquanto lágrimas de sargaços

molhavam os pés da moça da estátua na noite do Sena

na noite de todos os rios do mundo.

O rio que corria ao contrário e a massa de óleo amedrontavam barcos

que voavam pelas mãos de homens fugidos da moça em chamas.

Ela que não parava em lugar nenhum, por mais que seus segredos e símbolos pesassem como asas não resolvidas.

Seus passos eram plumas, mas deixavam marcas do gelo que lhe corroía

o aconchego se perdera no sonho, no rio que não voltava, não seguia, o rio difícil.

O café mais próximo parecia um barco perdido no mar de brumas

neons e olhares se diluíam, pálpedras repousavam na janela.

O encontro do dia seguinte já acontecera, estava vazia de tempo

suspensa nas próprias sensações.

Transparentes setas de chuva anunciavam a estação das formigas

das vespas e de meninos perdidos.

Muito antes que amanhecesse, ela fincou nos olhos estacas de luz.

 

 

Ieda Estergilda de Abreu


Natural de Fortaleza/CE, mora em São Paulo desde 1976. Jornalista de formação, sempre gostou de escrever. Publicou: Mais Um Livro de Poemas, Grãos -poemas de lembrar a infância-, A Véspera do Grito, O Jogo do ABC (infantil). Também escreve crônicas. Tem texto publicado no E-book da Geração Editorial, poesia.net. Participou das antologias poéticas: Fui Eu, Palavra de Mulher, Contra Lamúria.

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