Eunuco Africano

Favela

De visita pelo Rio, escutei de um velho alegorista, que ainda poderia estar vivo um tal Eunuco Africano, recentemente abandonado, por não servir mais pra cantar nem em festa de fim de ano.
Preocupado quis saber onde estava o Africano e me apontaram uma casinha lá no alto da Rocinha.  “Mas não adianta bater na porta nem berrar seu pranto. O dono da casa, de tão pobre, foi-se embora, deixando pra trás o coitado do Africano.”
Passei por lá na teimosia; bati bem forte, mas ninguém respondia. Indo embora cabisbaixo, ouvi de longe, lá dos fundos, o que parecia ser o canto do Eunuco me chamando.
Aos pontapés abri as portas e dei de frente com o malandro; já velhinho mas lustroso, era um cansado assum preto, o tal Eunuco Africano.
Fui-me embora com Eunuco, que cantava igual soprano, aquele samba enredo dos meus tempos de carioca paulistano.

Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz…

 

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Sobre Fernando SanPrieto

Fernando SanPrieto nasceu em 1974, em Catanduva (SP). Estudante por vocação, é graduado em Artes Plásticas e Design, pós-graduado em Ensino de Artes, ator recém formado e PhD em não usar nada disso. Impaciente, lê mais de um livro de cada vez e sempre mistura as histórias.

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