O jogo

shutterstock_62094895O jogo iniciava novamente.

Toda a preparação, inspiração, conhecimento do inimigo era algo que excitava. A expectativa do novo, da descoberta, da manipulação era algo que sempre deliciava.

A caracterização, a atuação também me deixava a cada dia mais admirada de minha própria capacidade de encarnar diversos personagens.

Homens…

Sempre crianças sedentas de novo brinquedo. Podem crescer, se desenvolver, fazer diversas faculdades, especializações, mestrados. Alguns até chegando ao grau máximo de doutorado em suas áreas escolhidas. No entanto, todos não saem do estágio anal em suas vidas emocionais.

Mulheres…

Seres enigmáticos, complexos, máquina que chegou a seu grau máximo de evolução carnal. No entanto, séculos de aniquilamento e repressão cultural impedem de enxergar sua excelência, sua grandeza e poder que detém em si. Ainda sonham imaturamente em pleno século vinte e um com o encontro de seus “príncipes” que a farão as mulheres mais felizes e realizadas. Continuam a brincar de casinha fantasiando suas vidinhas medíocres cuidando do doce lar, criando seus rebentos e gravitando ao redor de seus homens.

Eu não.

Desde pequena sabia ser diferentes das demais meninas que cresceram comigo. Brincava com elas de casinha para me manter num grupo. No entanto, minha visão de vida adulta era bem diversa.

Acredito que tudo começou quando presenciei pela primeira vez meus pais num momento de muita intimidade. Ao lado de meu irmão mais velho que já tinha uma certa malícia, fui apresentada às preliminares do sexo entre papai e mamãe numa tarde quente, véspera de carnaval.

Mamãe havia nos arrumado e levado para a casa de uma vizinha. Tinha nos orientado para que obedecêssemos à dona Carminha e que ficássemos comportados durante toda a tarde, pois tinha muita costura para terminar. Mamãe pegava costuras numa confecção no Brás para ajudar nas despesas de casa.

Brincamos com Flavinho, filho de dona Carminha por mais ou menos quarenta minutos até que meu irmão chamou de lado e me perguntou se queria ver uma coisa diferente.

Perguntei ingenuamente o quê, no que prontamente ele falou: Siga-me em silêncio e não me faça pergunta. Curiosa, saí de mansinho atrás dele.

Intrigada, vi que voltamos à nossa casa dando a volta pelo quintal. Chegamos bem de frente à janela do quarto de meus pais. Ainda sem nada entender, olhava para meu irmão numa pergunta muda que não recebia respostas. Mas percebia no seu olhar um brilho diferente e uma respiração alterada.

Fez-me sinal de silêncio, abriu de leve a janela que só se encontrava encostada e a cortina de voil e então, pela primeira vez, vi uma cena de acasalamento.

Não entendi nada daquilo. Fiz menção de perguntar algo, mas meu irmão já suado de excitação, tapou-me a boca e não tirava os olhos deles.

Esse primeiro vislumbre fez toda a diferença em minha vida…

Despertou em mim um prazer absurdo que naquela idade ainda não sabia o que era. No entanto, ao término da tarde de sexo entre papai e mamãe, me vi sendo motivo de muita risada de meu irmão.

Você se mijou inteirinha! Há, há, há!

Aos dez anos, meu corpo já apresentava as primeiras mudanças com meus peitinhos se formando e despontando rígido em minhas camisetas e vestidos. Minha cintura afinava e minha bunda se arredondava sempre empinada num eterno convite. Papai me proibiu de entrar na vendinha do seu Alaor pra comprar doces ou refrigerantes. Um dia ouvi-o dizer pra minha mãe ficar de olhos bem abertos, pois estava chamando a atenção demais dos marmanjos que freqüentavam os botecos do bairro. Ouvindo isso fiquei toda excitada e com minha bucetinha formigando. Quase mijei de novo. Corri para meu quarto e olhando minha figura no espelho, fiquei com minha boca seca ao ver meus biquinhos duros.

Em pouco tempo aprendi a me tocar durante o banho. Mesmo com toda a bronca de mamãe e dos xingos de meu irmão, passava cada dia mais tempo no banheiro sentindo a água caindo em meu corpo e explorando mais fundos meus orifícios ainda não desbravados pelas mãos de um homem. Fui me especializando em mim mesma.

Aos treze anos debutei na arte de seduzir um homem. Nunca me esqueci dele. Não por ter nutrido por ele algum sentimento açucarado que muitas chamam de paixão. Não. Como já disse, sou diferente das demais.

O que me movia era apenas tesão.

Bernardo Tavares. Esse era seu nome. Homem quieto, honrado pai de família que vivia para sua linda mulher e seus três filhos. Fiz o ensino fundamental com sua filha Katharina que na época era minha amiga. Em pouco tempo já fazia parte da família e não saía de sua casa. Para todos, minha permanência constante naquela casa era porque minha amizade era muito forte pela filha do casal. Mas só eu sabia a verdadeira causa de minhas visitas. Desejava ardentemente aquele homem que tinha idade para ser meu pai. Cada vez que ele se aproximava exalando aquela colônia masculina, minha vagina se contraia inteira e minha calcinha sempre ficava molhada. Aquela voz grave e aveludada, aquele bigode, aquelas mãos enormes me deixavam sem fôlego.

Tomei a decisão de seduzi-lo quando notei pela primeira vez o volume em sua calça. Lembrei-me de meu pai nu abrindo as pernas de minha mãe e introduzindo sua enorme vara nela.

Pensei: “Quero a vara de seu Bernardo em mim!”

Tanto me insinuei que numa tarde em que Katharina estava acamada com a garganta inflamada, na saída da escola surgiu em seu carro e disse que iria me dar carona até minha casa.

Com a carinha mais inocente entrei. Seu Bernardo suava muito e a toda hora passava seu imaculado lenço branco pelo rosto e pescoço.

Perguntei onde estávamos indo, pois minha casa ficava do outro lado do bairro.

Disse pra não me preocupar, iria me levar num lugar onde me mostraria uma coisa.

– Que coisa seu Bernardo?

– Surpresa filha.

E dizendo isso caiu num silêncio profundo até chegarmos a um lugar que nunca tinha visto. Antes de sairmos do carro me instruiu que faríamos de conta que éramos pai e filha.

Concordei.

Após receber a chave, pegou pela minha mão e seguimos um corredor escuro de paredes desbotadas e úmidas.

Passando a chave na porta, seu Bernardo inquieto disse:

–   Filha, não me leve a mal. Não agüento mais ficar ao seu lado sem te tocar.  Não aguento mais vislumbrar esses peitinhos durinhos querendo sair de seu vestido florido. Sua bundinha arrebitada sempre se empinando em minha direção. E cada vez que em brincadeiras na sala você se joga no sofá mostrando essas pernas bem feitas e bronzeadas deixando entrever o início de suas partes íntimas…Meus Deus! Que homem pode ficar indiferente diante de tamanha visão? Essa boquinha vermelha, tenra e sempre aberta pedindo pra gente explorar! Que Deus me perdoe, mas hoje preciso saciar meu desejo. Sei que depois não terei mais paz de espírito. Preciso te possuir menina! Não tenha medo de mim.

Olhei-o em silêncio e obedecendo, fui tirando meu uniforme. Sentado na enorme cama, salivava a cada peça que jogava ao chão. Inteiramente nua, desfiz minhas grossas tranças soltando os cabelos. Notei que já se encontrava totalmente excitado.

–   Seu Bernardo tira sua roupa também.

Ajudei-o a se despir. Primeiro, se aproximou de forma cuidadosa e com suas enormes mãos, se apossou de meus peitinhos. Subiu para meu pescoço, envolveu meus cabelos, cheirou-os, gemeu e me deu o primeiro beijo de língua de minha vida. Aos poucos sua língua foi me explorando a boca de forma cada vez mais agressiva e isso me deixou louca de tesão. Queria mais. Muito mais. Trouxe sua boca para um de meus seios e pedi que chupasse.

Sugou-o como se saboreasse uma fruta exótica e doce. Salivou e gemeu passando sua língua de forma circular pelo meu bico intumescido. Gemi também.

Segurando sua mão, direcionei-a para minha bucetinha que já se encontrava inchada.

Olhou-me de forma assustada e obedeceu. Introduziu com cuidado seu dedo longo e grosso e isso me causou arrepios por todo o corpo. Disse baixinho que não desejava me desgraçar, pois ainda era novinha. Virou-me de costas na cama e pediu pra abrir as pernas.

Passeou suas mãos pelas minhas costas fazendo suaves carícias. Beijou e lambeu minha bunda. Abriu minhas nádegas e lambeu várias vezes meu cuzinho. Com delicadeza, firmou suas mãos e, como se abrisse uma mexerica em duas partes, enfiou sua língua no meu cu. Aquilo me deixou louca!

Após essa preliminar com a língua, introduziu um dedo, depois dois e num ritmo delicioso, seu Bernardo colocou finalmente seu pau que me penetrou dolorosamente fazendo-me dançar de forma frenética. Gemi, rosnei, gritei pra não parar! Até que gozamos juntos e desabamos na cama feito dois sacos vazios.

Repetimos mais duas vezes até que ambos caímos exaustos no colchão. Ensinou-me a fazer oral e pediu para beber seu leite. O que prontamente fiz e mais uma vez gozei intensamente.

Depois nessa tarde, seu Bernardo passou a me evitar e percebi em sua face uma dor profunda. E de alguma forma, isso me excitava mais. Sabia que tinha um poder imenso sobre ele e poder é sempre algo que nos move, nos excita.

Em quatro meses, a família toda se mudou para outro estado. A vizinhança não entendeu porque essa saída tão repentina da família Tavares. Nem ao menos deixaram endereço.

Não sofri não! Foi melhor assim, pois vi que seu Bernardo poderia perder de vez a cabeça e desmantelar sua linda família por minha causa. Espero que tenha se recuperado.

Quanto a mim, segui minha vida saindo daquele bairro periférico aperfeiçoando meus jogos sexuais e pulando de cama em cama, de corpo em corpo. Conhecendo uma infinidade de homens e catalogando-os em categorias no jogo que criei. Talvez um dia publique.

Será bem interessante!!

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Sobre Roseli Pedroso

Roseli Pedroso nasceu em 1963, em Osasco (SP). Bacharelada em Biblioteconomia pela FESPSP, é bibliotecária escolar. Viver entre livros e palavras é sua grande paixão. Em 2011, participou pela primeira vez em uma antologia de contos Abigail, publicada pela editora Terracota. Também participa das coletâneas Corda Bamba e Ocultos Buracos, ambas da Pastelaria Studio, de Portugal. Colabora no site: http://melecachiclete.blogspot.com.br/ Seus blogs: http://bibliotequiceseafins.blogspot.com http://sonhosmelodias.blogspot.com

  1. Nem sei o que dizer, Roseli… mas senti um nojo imenso desse cara…. E pensar que isso acontece por aí.
    Chocada, essa é a palavra.
    Beijos

  2. Isso que é um jogo voraz!

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