Ângulos agudos

Ângulos - foto de Frota Escobar FilhoFoto de Frota Escobar

Para Amélia, era uma piada enquanto para o filho, uma carteira.

Para Bernarda, um desejo como para o irmão, um prejuízo.

Para Cintia, um demônio enquanto para a ex-noiva, uma vaga lembrança.

Para Dinorá, meiguice como para a gerente, obsoleto.

Para Eunice, frágil enquanto para a afilhada, cruel.

Para Fabiana, uma rocha como para o avô, um doce.

Para Gertrudes, gargalhadas enquanto para o primo, fel.

Para Hercília, farsante como para o vizinho se fazia de morto.

Para Inês, uma boa pessoa enquanto para o pai, a decepção.

Para Julia, gênio enquanto para o sobrinho, um ateu.

Para Laura, um parceiro como para o amor-da-vida, uma luz.

Para Maria, era o podre que o dedo apontava como para o colega de trabalho, um exemplo.

Para Nair, só tinha volume como para o cunhado não tinha jeito.

Para Olívia, neutro enquanto para a irmã: o céu, a água e o ar.

Para Poliana, intenso enquanto para o sogro, um mentiroso.

Para Quitéria, um fodido como para a avó, uma moça.

Para Renata, uma fuga como para a mãe: ainda uma criança.

Para Sílvia, uma brasa enquanto para a tia, era solitário.

Para Thais, sagrado como para vizinha, óbvio.

Para Úrsula, exótico enquanto para sobrinha, com pouco gás.

Para Vitória, fresco como para prima, não tinha cheiro nenhum.

Para Xênia, sincero como para a filha, não mais encantado.

Para Zulmira, um porto seguro enquanto para a ex-mulher, uma pamonha.

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Sobre Plínio Camillo

Nasci em 26 de novembro de 1960. Aos três anos descobri que as letras tinham significados. Aos cinco, a interrogação. Aos nove, não era sintético. Aos 12, quis ser espacial. Aos 15, conquistei a exclamação. Aos 17 vi os morfemas. Aos 20 estava no palco. Aos 22 me vi como um advérbio. Aos 25 desenredei a Lingüística. Aos 27 redescobri as reticências. Aos 30, a juventude. Aos 35 recebi o maior presente: Beatriz Camillo, aquela que me trouxe a felicidade. Aos 40 desvendei uma ligeira maturidade. Aos 41 voltei para Sampa!!!. Aos 45, recebi o prazer de viver em companhia. Aos 50 anos, uso óculos até para atender telefone. Hoje: escrevo.

  1. Retrato de um homem que tem cheiro. Como a minha avó dizia: “ele não é insosso”. Maravilha de texto!

  2. Concordo, Glauber! É um cara que move opiniões descrito num texto primoroso.

  3. Plínio sempre nos surpreendendo! Belo texto!

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