(haicais não ortodoxos)

O sol também se levanta
para a mulher que
nunca foi santa

[1] Trocou a virgindade
pelas luzes
da cidade.

[2] Da janela indiscreta
chamava os meninos
de bicicleta.

[3] Consolou o jovem
Werther fazendo-lhe
um suéter.

[4] Se és tão belo
não o sei –
esnobava até Dorian Gray.

[5] Desconversava
com Dirceu:
Tua Marília não sou eu!

[6] No cinema errou a sala
e encontrou
Kid Bengala.

[7] (O mestre do haicai
não conheceu a dama
do cine Shanghai)

[8] De pequena já dizia:
faço tudo
por ideologia.

[9] Sonhava ter
uma árvore
no quintal.

[10] Perder três ou
quatro quilos
até o carnaval.

[11] Sua prima Vera
gostava de
flores.

[12] Presenteou a mulher
com as malditas
de Baudelaire.

[13] Largou o marido
em busca do
tempo perdido.

[14] (Ela na Rota 66:
quero ar,
Kerouac)

[15] Não reparava
em umbigo
de amigo.

[16] Mas teve um namorado
de umbigo
saltado.

[17] Com ele quis
dançar o último tango
em Paris.

[18] Deitada em seu colo
revirou memórias
do subsolo.

[19] A esse faltou coragem –
abominava
libertinagem.

[20] Ela custou a acreditar
que não era
eclipse lunar.

[21] Tentou suicídio
enchendo a boca
de wasabi puro.

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  1. Maria Esther

    Denise, uma estrofe mais criativa do que a outra, cada linha uma surpresa.
    Me diverti lendo! E que bom que o sol nasce para tod@s!
    Bj

  2. Amei cada haicai e o todo da história que eles formaram. Criatividade, humor, delicadeza e muita literatura. mandou bem Dê!

  3. Que delícia! Não deixe de postar haicais!

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