Irmã Sol e irmão lua.

 Sol e lua - Wolber Campos imagem

imagem de Wolber Campos

 

—Feche os olhos e levante.

 

Sentiu a calça sair. Um revolver na têmpora esquerda.

 

— Tire a cueca.

Não entendeu: coronhada na nuca.

Sempre quis ser a Solange.

Sol, sua irmã mais velha que morreu muito antes do seu nascimento. Ela seria uma ótima irmã. Teria ensinado a jogar bola, subir em árvore e o defenderia dos meninos grandes da escola.

Primeiro chegaria e pediria educadamente para que cessassem as torturas e os xingamentos. Diria: Meu irmão é deste jeito …

Claro que a molecada não iria ouvir. Falariam que irmã de viado é puta.

Já preparada, racharia a cabeça e botaria fogo  neles todos.

— Tire. — Atordoado, tirou.

 

Uma mão forte e pequena o empurrou para cima da cama.

 

Ouviu o escarro.

 

Um soco empinou. Um indicador e um anular assegurou a penetração

 

— Pirulito bate-bate e o meu coração vai atrás!!!

 

Vai até fácil.

 

— Vem comigo!

 

 

Sol iria conter o pai e não deixaria a mãe quebrar o seu braço. Aconselharia: Ele é assim. É seu filho e meu irmão! Vai precisar do nosso amor e apoio.

 

Gargalharia quando o irmãozinho contasse que depois do beijo na Débora, tinha vomitado no vestido de baile da garota.

 

Põe um pouco.

Tira uma metade.

Põe.

Deixa ficar.

 

Ajudaria a escolher a roupa para o primeiro encontro com o Paulinho.

Consolaria quando o Tiaguinho o trocou pelo Fred e o chamaria para morar junto quando foi expulso de casa. Animaria: Não chore, vou falar com eles no domingo que vem. Vamos mudar de assunto: então você está apaixonado? No duro? Quero conhecer o Mauro.

 

Urrou.

Puxou cabelos.

Gemeram

Mordeu as costas.

Não chorou.

 

— Nunca quis por bem …

 

Afirmaria: Maninho, precisou de algo, peça. Peça sem medo!!

 

— Esnobou. Agora deu pra mim e nem piou.

 

Reconfortaria: Não merecem o seu choro. Sorria e deixe o resto comigo.

 

— Agora pega o meu pau e vem tomar o leite do moço!

 

Alentaria: Fica tranquilo, cuido de tudo!

 

Gozou de deixar as pernas moles.

Ferrou os dentes.

Clamou por Deus.

Desfrutou diferente: engoliu.

 

Horas depois

 

— Pode repetir sem chorar?

— Minha irmã comeu ele …

 

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Sobre Plínio Camillo

Nasci em 26 de novembro de 1960. Aos três anos descobri que as letras tinham significados. Aos cinco, a interrogação. Aos nove, não era sintético. Aos 12, quis ser espacial. Aos 15, conquistei a exclamação. Aos 17 vi os morfemas. Aos 20 estava no palco. Aos 22 me vi como um advérbio. Aos 25 desenredei a Lingüística. Aos 27 redescobri as reticências. Aos 30, a juventude. Aos 35 recebi o maior presente: Beatriz Camillo, aquela que me trouxe a felicidade. Aos 40 desvendei uma ligeira maturidade. Aos 41 voltei para Sampa!!!. Aos 45, recebi o prazer de viver em companhia. Aos 50 anos, uso óculos até para atender telefone. Hoje: escrevo.

  1. moon is the sun,thanks loved.(*_^)

  2. Uau! Sempre nos prendendo a atenção com suas histórias e personagens pra lá de ricos. Adorei!

  3. Tanta história em tão poucas palavras. Texto muito rico.

  4. Cada vez mais craque no seu estilo. Parabéns!

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