Guerra de morte

Imagem: Jo.sau

Imagem: Jo.sau

Aquela barata enorme praticamente me obrigou, senhor.

Sim, eu estava sentada no banco reservado aos idosos. No terceiro vagão, do lado direito de quem entra pela segunda porta.

Quando a porta fechava, ela fingia que ia para o outro lado. Eu lia um livro do Sabino, mas podia captar sua aproximação pelo canto dos olhos. Visão periférica, sabe? Nós mulheres percebemos muita coisa desse jeito.

Mas sim, a sombra vinha em minha direção. A sandália de tiras deixava o meu pé como um banquete para a dita.

Desviei o pé, uma, duas, três vezes. Depois pisei em falso, como a gente faz para espantar cachorro.

E a bicha, filha da puta, comprou o meu blefe. Na estação Granja Julieta ela veio direto na minha direção. Ainda olhei para os lados, meio que pedindo ajuda pros homens que estavam perto. Ninguém reparou na manobra da bicha. Nem uma mulher que fosse!

Encurralada, não tive escolha. Era ela ou o meu pé! Pisei. Pisei mesmo.

Daí viram! Olharam com nojinho. E daí se sensibilizaram pela baratona, chamando os guardas, a policia ambiental, o papa!

Pior não foi isso: eu continuava a sentir a bicha viva! Avançado na minha direção. Olhava de novo pro cadáver estatelado e ela lá. Mas eu a sentia vindo de novo! Arrepia tudo só de lembrar, tá vendo?

Ainda vejo ela vindo. Querendo lamber os meus dedos. Subir pelas minhas pernas. Estou sendo assombrada pelo fantasma daquela barata! O senhor não acredita? Não importa, me prenda! Eu a matei. E ela não vai me deixar em paz se não tiver justiça.

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Sobre Aline Viana

Aline Viana nasceu em São Paulo, em 1981, mas prefere que não espalhem a que safra pertence. É formada em jornalismo. Cansada de tanto quem, o quê, quando, onde, como e porque resolveu entrar em um curso de crônicas. Foi um santo remédio para recuperar a saúde de seus textos. Se o diagnóstico está correto, você pode checar nos blogs: cronicasdas12.blogspot.com e semanalmente no vidasetechaves.wordpress.com . Novos pareceres são sempre bem-vindos.

  1. Aline já passei por situação parecida num ônibus! Loucura! Loucura! Loucura! Também não tive dó, estraçalhei a infeliz!!! kkkkkk

    • Aline Viana

      hahahaha Pois é, né, moça, a convivência pacífica é uma meta, mas nem sempre dá pra chegar lá 😛

  2. Pisar? Nunca…. eu só faço fugir…rs

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