Call Center

Telefonera– Alô?
– Olá! É o senhor Antônio? Aqui é da Cardcred.
– Pois não!
– Devo avisar que esta ligação está sendo gravada.
– E daí?
– Por motivo de segurança, queira, por gentileza, me dizer o seu cpf?
– Peraí… deixa eu acordar direito… o que você disse?
– Por gentileza, senhor, me diga o número do seu cpf?
– Por que eu devo dizer?
– É para identificá-lo.
– E como eu posso te identificar?
– Então, senhor, me passe apenas os três primeiros dígitos?
– Nem vem que não tem.
– Diga a sua data de nascimento.
– Tá brincando… não falo a minha data de nascimento pra ninguém, é segredo guardado a oito chaves.
– Qual é o nome do seu pai?
– Olha só, minha mãe é bastante ciumenta, viu!?
– Então ligue para a Cardcred que o senhor já deve saber sobre o que se trata.
– Como vou saber se você não me diz?
– Primeiro o senhor precisa se identificar.
– Ué!, se me ligou deveria saber quem eu sou.
– Pegue o número do telefone da Cardcred, que está impresso no canto superior esquerdo da sua fatura, e não deixe de nos ligar!
– Canto superior esquerdo? Ah, não vou ligar pra ninguém. Tenho mais o que fazer.
– Então eu vou te ligar de meia em meia hora.
– O que é isso? Está me ameaçando?
– O senhor tem mais alguma dúvida?
– Nunca tive. Você que fica aí querendo saber sobre mim. Sei não…
– Tenha um bom dia.
– Bom dia pra você também e um beijo.
– A Cardcred agradece a sua atenção.

Fica aqui minha grande admiração pelas pessoas que trampam nessa loucura que é call center. Tem que ter bastante coragem pra logo cedo, num feriado, ligar na casa de alguém e cobrar. Imagino o que ouvem de gente, assim como eu, que odeia ser cobrado e com mais ódio quando é às oito da madrugada.

Ah,  aproveitando este espaço, sabe como é, alguém tem um algum aí pra me emprestar?

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Sobre Gláuber Soares

Gláuber Soares mora em São Paulo. Formou-se em Jornalismo, mas o seu maior erro foi comprar um All Star de cano alto e cor roxa pensando levar azul-marinho. Skatista calhorda, nos finais de semana é possível encontrá-lo no litoral sul, ao pé da serra do Mar, numa casinha verde, próxima do Rio Negro, à procura dos tons que não enxerga. Participou das coletâneas de contos: Abigail (2011), Dos Medos o Menor (2012) e A Arte de Enganar o Google (2013) – todas pela Terracota Editora. Em 2014, também pela Terracota, lança sua coletânea de contos Remédio Forte. Também bloga em glaubti.wordpress.com E-mail: glaubersoares@terra.com.br

  1. Querido … até que quero … porém sabe como é .. começo de mês … luz , água, escola da neguinha ..

    Valeu!!!

  2. Apesar dos pesares, que dá vontade de responder, ahhhhh se dá!

  3. Háh! Que legal! Odeio esse povo do call center mas também entendo o quanto eles devem ouvir diariamente. E esse negócio de exigir que falemos nosso CPF! Ninguém merece né? Já bati muita boca com esse pessoal. Affê! Muito bom Gláuber!

  4. Bom tema, situação bem explorada, o texto prende do início ao fim.

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