amar(r)ar

Catrin Welz-Stein

Catrin Welz-Stein

ouça, gato. você me interpreta. fechei as portas. o mundo aqui não entra.
o meu coração parou. sempre que alguém morre eu penso se partiu com fome.
nessas noites, quando encho sua tigela, também desfruto da minha e penso quando terei coragem.

sem miar assim, vai. para
sua lógica felina me arrepia
não o deixarei sem teto

eu supero esse asco, gato. mesmo sem ideologias libertárias, sublevações utópicas… hã?! a resposta é óbvia
não há ninguém e nada para salvar. todas as demências estão na prateleira sem pó e rutilando para consumo.

o povo-oprimido-pobre-sem-abrigo?
tem seus defensores de verbos gordos
que falam em nome deles, mas para poucos
lá, dos seus gabinetes de certezas

esse povo é tirano passivo desse mundo sem juízo
eu fico aqui e tudo fica lá fora
quê? ainda acredita em inocentes, gato?
sei lá, viu. eu não aposto nisso.

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Sobre alesafra

.Autora de DEDOS NÃO BROCHAM, ed Draco e do blogue com mesmo nome

  1. Eu também sempre que alguém morre penso se foi embora com fome… Valeu Ale…

  2. naneteneves

    que falam em nome deles / …/ dos seus gabinetes de certezas. Menina, você sabe ser contundente e poética ao mesmo tempo, uma arte e tanto. Muita luz em 2013, querida.

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