La Bizca

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“Bizca! Mira la bizca!” Era o que mais ouvia, mas tais indelicadezas não abalavam a mocinha. Não existiu no bairro um macho sequer que não tenha degustado o poder de sucção daquela boquinha. Só tinha um único capricho. Não repetia falos. Aos saudosos restava a mediocridade dos insultos. “Corre a la boca miúda” não era sinônimo de fofoca como aqui, era tara. Ai de quem não obedecesse seus caprichos. Não cuspia uma gota sequer. “Alimentome con cuatro corridas diarias” – dizia a insaciável gordinha. Tal talento rendeu-lhe um legítimo Botero, não sem antes beber do jovem pintor.

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Sobre Fernando SanPrieto

Fernando SanPrieto nasceu em 1974, em Catanduva (SP). Estudante por vocação, é graduado em Artes Plásticas e Design, pós-graduado em Ensino de Artes, ator recém formado e PhD em não usar nada disso. Impaciente, lê mais de um livro de cada vez e sempre mistura as histórias.

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