SAL

 

 

Imagem: Paul Vom Borax

abis-

sais em brasa

 

fendas chamam línguas brandas

“era para ser uma história de amor”. disse ela delirante.

“romantismo não tem cheiro de terra”. respondi com a língua cheia

 

nanda é bailarina. em seus pés

cada calo cala e extasia-

me apetece deformidades do hábito

 

baila réptilíngua ávida

seja em mim presença. sou  passiva cá

dela

 

das janelas vento acomoda folhas

sobre mim, ela. passarinhos e insetos tomam pl-

ateia e um tanto de floresta canta

 

enquanto te risco a pele

(viciosa & sevícia)

delíramo-

nos em substantivos

inadequados para mulheres

 

ecos minguam nas línguas sibilantes

você nanda, nua

vestida de cetim amarelo

não atina, escaldante criatura,

as labaredas em pés eriçados de

mente perversa a consumir

e apunhalar

crendice

sua

 

cuspa não chão e lamba

as mentiras das tuas ideias

que o ácido do teu estômago

lhe faça renascer da azia

 

pago um e noventa e nove pra te foder

enquanto pasta em saliva deprimente

e lhe chamo de moça de família,

“você gosta que eu faça igual ao seu marido?”

você é minha mulherzinha respeitável. mamãe exemplar

 

nessa hora a bicharada tesa pede mais

é em sua homenagem nanda hipócrita e viciada nanda

deliciosa e crente nanda pervertida e covarde nanda

febril e culpada nanda religiosa e pecadora nanda

nanda humana. mulher lasciva

não dá pra negar!  amalg-

ama viva te escorrer pela fenda. eis o fogo da vida.

 

dirá teu marido se te pega assim: está é a mãe do meu filho? a mulher que me alimenta? maldita! – monstra! hedionda! sua sombra de besta.

eu lhe direi mulher; agora sofra até ser livre

das crenças enfiadas no anelar esquerdo e parida em ossos e sangue

 

sua sombra deseja rasgar dançar na terra

grite seu prazer para o mundo

haverá outros uivos a saldar sua chegada

outra sombras bestas de alegria

para comemorar a morte da matriarca.

na arca de noé o amor não foi convidado, nanda

entrou apenas úteros e sacos.

nosso prazer também não foi convidado nanda, nosso amor é inútil

não! não tema, não chore, não desista de me dar

nenhum dos seus gemidos

sinta

vou devagar, serei dulcíssima, venha, aqui

não chore, isso, de bruços, suas mãos, a corda,

a mordaça

 

livres

 

os insetos sabem, todos sabemos e fingimos não saber

não me venha implorar para eu te fazer livre das suas mentiras

quero lonjura das suas quedas

 

escrevo na sua pele nossa despedida

pague outra puta para realizar suas fantasias

 

nanda, seus quarenta anos não te servem nada

os insetos sabem, você sabe e repito: não quero mais seus

ais

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Sobre alesafra

.Autora de DEDOS NÃO BROCHAM, ed Draco e do blogue com mesmo nome

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