A Nação Zumbi & o Fã VIP

Ao menos no cenário nacional, desde a Tropicália, nada foi tão revolucionário, criativo e musical quanto Chico Science & Nação Zumbi.

Vi os mangueboys surgirem com os seus tambores no Fanzine, programa da TV Cultura, apresentado pelo Marcelo Rubens Paiva, em 1993. Não foi amor à primeira batida. Fiquei com um pé atrás. Achava que imitavam o querido Olodum. Ainda tinha a metáfora da parabólica enfiada na lama. Recife. Mangue. Caranguejo. Homens gabiru. Quanto papo furado?! Não entendia nada daquilo. Mas aos poucos fui percebendo que a levada era outra.

Baque de arrodeio, maracatu, embolada, hip hop e rock and roll – “tudo bem envenenado / bom pra mim e bom pra tu / pra gente sair da lama e enfrentar os urubus”. Antropofagia de primeira. Virei fã da banda que lideraria o manguebeat. Em 2000, após a prematura morte de Science, tive a oportunidade de entrevistar Jorge Du Peixe – que herdou o vocal.

Era um sábado de manhã. Descobri que a Nação Zumbi iria ensaiar à tarde na Woodstock – tradicional casa de shows de rock na rua da Consolação. Passei no apê do André (rapper Pirata) e fomos lá. Eu estava apreensivo. Não havia agendado. Não sabia se iriam me receber. Mas o meu maior receio era por ser muito fã do som dos caras. Não queria que houvesse mácula na minha paixão.

Cheguei antes deles. O pessoal da Woodstock nos deixaram entrar. Não demorou, os mangueboys chegaram com o Clemente, da banda punk Inocentes, vixe!, outra lenda. Me apresentei a eles e, enquanto os músicos afinavam seus instrumentos, Jorge Du Peixe me atendeu numa boa. Tivemos uma longa conversa. A entrevista foi publicada no portal eAprender(onde trabalhava). Depois Du Peixe se juntou à banda. Mas antes, ele mandou colocar meu nome na lista de entrada VIP para o show à noite. E assim, sendo VIP, fiquei ainda mais fã dos caras.

PS: A resolução da foto acima não é das melhores, mas vale como registro.

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Sobre Gláuber Soares

Gláuber Soares mora em São Paulo. Formou-se em Jornalismo, mas o seu maior erro foi comprar um All Star de cano alto e cor roxa pensando levar azul-marinho. Skatista calhorda, nos finais de semana é possível encontrá-lo no litoral sul, ao pé da serra do Mar, numa casinha verde, próxima do Rio Negro, à procura dos tons que não enxerga. Participou das coletâneas de contos: Abigail (2011), Dos Medos o Menor (2012) e A Arte de Enganar o Google (2013) – todas pela Terracota Editora. Em 2014, também pela Terracota, lança sua coletânea de contos Remédio Forte. Também bloga em glaubti.wordpress.com E-mail: glaubersoares@terra.com.br

  1. Facetas de um claraboy …

  2. Cara! Que legal! Uma experiência dessa quando somos fãs deixa lembranças deliciosas. Assim como essa que acabou de narrar para nós. Curti demais o som deles na epoca também.

  3. Em tempo: ficou bem legal você ter colocado esse video deles. Muito bom mesmo!

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