cena 3

saltos altos salientes. a surpresa chama. você teme. seu medo encanta. da porta ela não se assusta. não se nega. não treme quando te vê.

as roupas dela -esmerada na renda- depois de uns goles de vinho arranco e ancas brancas frescas como as manhãs do oriente, estreiam. cabelos pretos nas minhas mãos afago. o perfume é suave como os pezinhos dela.

você não é mais o professor – aquele cuja graça é ser coisa minha – gosto da palavra sadismo:

dois Ss, vocês assim, servis sentados sobre os pés de cabeças baixas, tiranos! o s daquilo que é naquilo que tem. não há desigualdade nesse jogo óbvio. cansativo.

morangos. veja como são vermelhos meus lábios famintos. apetecida te faço uma prévia do que somos em duas. ela lambuza os morangos nos meus lábios vermelhos. comemos.

meus dedos enroscam nos cabelos dela, pretos longos como rédeas lustrosas que puxo para que lamba meus lábios de morango. gosto da loucura nos seus olhos tontos refletindo duas chamas.

vinho

cigarro

desenho para que você compreenda, pelo corpo dela, caminhos de prazeres. seus olhos flamejam a possibilidade do espetáculo passo a passo ilustrado no corpo da gueixa minha. um pouco de exemplo prático aqui e ali… ai…você suspira, morde os lábios. fica teso e arfa o peito. abro a floresta de ninfa com olhos endiabrados receptivas a todas as carícias, deixo a umidade dela na ponta da sua língua.

gosto de ver sua alegria, mais, agrada-me seus olhos para dentro dos meus, perceber minha natureza não ser tão generosa assim. sua confusão me agrada.

pra cadeira, mando ela que te leve, e use cordas e mordaça. vejo sem interesse os movimentos dela. você se deixa levar por mãos pequenas, ágeis em belos nós.

volto para você, professor, e no quanto parece nada aflito:

– está confortável? pergunto baixinho. acaricio seu rosto. ela ri de você. eu também. aquela pequena pervertida sabe que te espera. mas você, tão perdido na ilusão do espetáculo, não se aflige com as cordas e mordaça. não percebeu ainda. eu dissimulo um começo com ela, você se anima. insisto no teatro, digo mais coisas sobre o sexo meu e dela. você me encanta, professor.

caminho até minha bolsa retiro seu pesadelo. adoro quando tenta implorar amordaçado, amarrado. eu entendo sua suplica. compreendo a crueldade do meu ato. mas sabe que aprecio as sutilezas dessa arte. venda de cetim larga e preta. nos teus olhos. mas meu afeto permite que você,

nos ouça.

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Sobre alesafra

.Autora de DEDOS NÃO BROCHAM, ed Draco e do blogue com mesmo nome

  1. naneteneves

    Alê, você sempre com suas personagens safadinhas, chegadas num fetiche, plural, tentadoras…

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