A sombra de um cedro

Imagem: Gustav Klimt

Sentados à mesa, Hasam, Karima e Assad olhavam a figura de Fayard comendo tabule. Rafi nascia enquanto Zahara beijava Aziz debaixo de um cedro. Fadel bebia Arak e segurava um punhal para ganhar Ulima à força. Garib sabia que Bachir matara Vidókia com o revólver de Badi. Ranya vomitava coalhada seca no colo de Tayeb. Na décima sexta lua Fuad trouxe carneiro para festejar. Sentados à mesa, Xarif, Najla e Sabre olhavam a figura de Taufic comendo chancliche. Mustafá mordia a perna de Samira enquanto o carneiro assava. Zinara afogava o tio Nagibe entre as coxas. Rozala tecia um tapete para o casamento. Abud apodrecia no caixão enquanto Odila deixava que Alaor a invadisse. Sentados à mesa, Albatenio, Altair e Yasmine olhavam a figura de Adail comendo babaganuche. Al-Samir se despediu da família no cais do porto. Maala rompeu o hímem com uma escova de cabelo. Tersa fugiu para Beirute e morreu num bombardeio. Abdelmaleque aos dois anos ainda mamava em Yasmine. Kaab possuído por um Djin furou o tímpano de Jamal com uma tesoura. Sentados à mesa, Munir, Nahbi e Sila olhavam a figura de Kassim comendo kibe cru com cebola e hortelã.

Rafi nascia enquanto Odila deixava que Alaor a invadisse. Tersa fugiu para Beirute na décima sexta lua. Fuad segurava um punhal para ganhar Ulima à força. Garib sabia que Bachir bebia Arak. Ranya vomitava uma escova de cabelo no colo de Taybe. Abdelmaleque aos dois anos trouxe carneiro para festejar. Sentados à mesa, Munir, Nahbi e Sila olhavam a figura de Kassim no caixão comendo kibe cru com cebola e hortelã. Mustafá mordia o tio Nagibe entre as coxas. Al-Samir furou a perna de Samira enquanto o carneiro assava. Rozala tecia o hímem com coalhada seca. Abud apodrecia um tapete para o casamento. Zahara beijava Aziz com o revólver de Badi. Fadel ainda mamava. Morreu num bombardeio. Odila matara Vidókia debaixo de um cedro. Sentados à mesa, Albatenio, Altair e Yasmine olhavam a figura de Adail comendo chancliche com uma tesoura. Kaab possuído por um Djin se despediu da família no cais do porto. Maala rompeu o tímpano de Jamal. Zinara se afogava em babaganuche. Sentados à mesa, Xarif, Najla e Sabre olhavam a figura de Taufic comendo Yasmine.

Marcelo Maluf é apanhador de palavras dançarinas, escritor e terapeuta corporal. Mestre em artes pelo instituto de Artes da UNESP. Escreveu entre outros, Esquece Tudo Agora (Contos, editora Terracota, 2012) e Jorge do Pântano que fica logo ali (FTD, 2008). Bloga em: www.marcelomaluf.blogspot.com

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  1. Belo apanhado de palavras, intenções, cores e sabores!!!!
    Que sabor tem Yasmine? De tabule ou coalhada seca?

    Muito bom!!!

  2. Marcelo, dos contos de seu livro, esse foi um dos que mais gostei. O jogo de palavras e sua dinâmica está demais. Fora o desfile de pratos que dão água na boca! Maravilha!

  3. naneteneves

    Este conto tem gosto de finas especiarias e é lindo. E olha que nem está na minha listinha dos meus top five. Imagina os outros do “Esquece tudo agora” então. Visita de luxo no Coletivo Claraboia.

  4. O texto tem realmente textura. Muito saboroso!

  5. Delícia de texto com cheirinho de cordeiro assado. Deu fome. E vontade de voltar para o curso de árabe. Saalam-Aleikum, Malufinho!

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