São Paulo quer Paulo, quer Maluf, sim senhor

Ou, pelo menos, deveria querer. Explico, cresci ouvindo o jingle das campanhas do Maluf. E não, não sou malufista. Muito pelo contrário. Mas as eleições deste ano estarão completamente fracassadas sem a presença do dr. Paulo.

As peças deste ano são um candidato que se presta à marionete do ex-presidente Lula (Fernando Haddad), e que deve continuar assim, visto que não se sabe que tenha vida autônoma anterior, como Dilma; temos o ex-governador José Serra; e também o candidato da educação pelo afeto, Gabriel Chalita. Se eles causam alguma emoção nos jornais, são incapazes de provocar o debate pela população.

Propostas arrojadas? Polêmicas? Carreatas com os populares vibrando pelo candidato? A era do espetáculo acabou. Pelo menos, é pouco provável com esses atores. Nenhum deles anima sequer o próprio partido.

Não há novas lideranças disponíveis.A alternativa a Haddad, seria Marta Suplicy, famosa por morrer pela língua. Na oposição, Serra foi convocado porque os demais, também velhos de estrada, não fariam nem traço nas pesquisas. Chalita está no instável PMDB, pode ser que nem saia candidato. Mas, há mais um nome! Netinho de Paula, pelo PC do B.

Netinho, ainda que seja abominado pela imprensa, não dá nem pro cheiro. Não anima nem voto de protesto como o Enéas e o Tiririca. Da última vez em que não tivemos o dr. Paulo atiçando pra valer a “dona Marta do PT”, nem desmascarando o “Serra mentirinha”*, Gilberto Kassab (PSD) foi reeleito com folga.

E se Paulo Maluf, rouba, mas faz (a ladainha começa pelo terminal rodoviário do Tietê e segue para as marginais, o Cingapura, o metrô da zona Leste, o túnel Ayrton Senna, etc. etc.), também se pode dizer dele que tem carisma. E isso é importante na política sim, tanto quanto as boas intenções e um bom programa de governo. Basta lembrar de Lula e Obama, para ficarmos nos exemplos óbvios. Maluf usa o carisma pro mal? Pode ser, mas quem viu Guerra nas Estrelas e torceu pelo Luke Skywalker, com certeza está em dívida com o execrado Darth Wader.

Lembro que vi o último debate da campanha municipal de 2004 em um churrasco e que as pessoas vibravam com as sacadas e ironias do dr. Paulo, com os cortes mais ou menos certeiros de Marta e com o visível desconforto do Serra. Também tinha a ex-prefeita Luíza Erundina, mas com uma performance bem apagada. É, gosto de ver o circo pegar fogo. Sou do público, não nego a raça.

Quero a cidade sem buracos, mais segura, com foco no transporte público, com educação digna do nome para os alunos da rede pública. Fica então o meu apelo para que o dr. Paulo reveja sua ideia de não disputar as eleições. São Paulo precisa de você.

Aline Viana

* Não, não é um caso de desinformação. Na campanha de 2008, o candidato do PSDB à prefeitura paulistana foi Geraldo Alckmin, o picolé de chuchu, e não o “Serra mentirinha”, mas como este último apelido foi cunhado pelo próprio dr. Paulo optei por destacá-lo no texto.

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Sobre Aline Viana

Aline Viana nasceu em São Paulo, em 1981, mas prefere que não espalhem a que safra pertence. É formada em jornalismo. Cansada de tanto quem, o quê, quando, onde, como e porque resolveu entrar em um curso de crônicas. Foi um santo remédio para recuperar a saúde de seus textos. Se o diagnóstico está correto, você pode checar nos blogs: cronicasdas12.blogspot.com e semanalmente no vidasetechaves.wordpress.com . Novos pareceres são sempre bem-vindos.

  1. Juro que você me deixou na dúvida da sua posição… rs
    Entro aqui em contraponto fortíssimo com o seu pedido, pois peço para que ele não concorra às eleições… Enfim, a conversa vai longe se começarmos com uma fagulha. Não vejo opções, não vou pelo “menos pior”. Sou favorável ao golpe de estado!, mas a última chance disso acontecer fez questão de amolecer na luta, há 10 anos atrás…

    • Aline Viana

      Então, Bia, a questão que o texto procura colocar é que o panorama de ter candidatos muito parecidos ou sem posições bem definidas faz com que as pessoas não se interessem pela disputa. Para isso é sempre válido ter um candidato que polarize a discussão, mesmo que essa polarização ocorra no sentido da mobilização contrária. Foi assim que Obama se elegeu, por exemplo, ao mobilizar o planeta inteiro pelo fim do que o governo de Bush filho representava. Quando o público não se integra à discussão política, vota em qualquer um e permite que passem coisas que, em outro contexto, jamais seriam admitidas.

  2. É isso aí… vamos por lenha na fogueira.

  3. Não tem como não apreciar o talento do senhor Paulo Maluf. Ele é o verdadeiro showman da política. Mesmo abominando sua conduta, sou obrigada a reconhecer seu talento nato para a política e para o trato com o povo. Maluf é carismático, espirituoso, e sabe ter um jogo de cintura para se safar de situações embaraçosas como ninguém. Maravilha de texto Aline.

    • Aline Viana

      Realmente, Paulo Maluf é um personagem que deve entrar para a história da nossa política, rsrsrs
      Obrigada, Roseli 😉

  4. KKKKKkkkkkkkkkk. Impensável, Aline! Jamais esperaria ouvir isso. Mas os debates com ele eram muito divertidos mesmo. kkkk

  5. Sheila Boesel

    Aline!!! Confesso que o título me assustou: como assim, apologia partidária no nosso blogue? mas antes mesmo de começar, lembrei a mim que, como diz minha mãe, “o pensamento é livre, graças a Deus” e vamos ao debate!!! Ao ler teu texto, percebi que a apologia existe sim, mas ao próprio debate/embate. Sou, desde que me entendo por gente, eleitora de projeto político-partidário. Mas, confesso, que o cenário político insonso que tu descrevestes tem me desanimado nos últimos anos. Concordo contigo: precisamos do debate, precisamos de atividade política e, urge, lideranças carismáticas e, principalmente, que acreditem na política de um ponto de vista filosófico: a política existe pra servir às pessoas, o político deve ser o maior servidor público e dos interesses comunitários!!
    Abraços, parabéns pelo texto, obrigada por propor uma reflexão e começar o debate!!!

    • Aline Viana

      Sheila,

      Que bom que você seguiu o conselho da mamãe! Lembro bem de ter simpatizado com ela, e agora vejo que a minha primeira impressão estava corretíssima, 🙂 Fico feliz que você tenha curtido a crônica!

      Bjs,
      Aline

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